A Geração Z faz menos sexo - e isso pode ser uma boa notícia
Estudos recentes mostram que jovens de 18 a 24 anos transam menos que millennials. A leitura mais óbvia (telas, porn, ansiedade) é incompleta. O que está acontecendo de fato?

Estudo do Instituto Karolinska em parceria com a Universidade de Washington mostrou que 51% dos jovens da Geração Z fazem sexo ao menos uma vez por semana, contra 57% dos millennials. No Brasil, o estudo Mosaico 2.0 da Drª Carmita Abdo (USP) confirmou a tendência: jovens entre 18 e 25 anos são os que mais consideram o sexo de pouca importância na vida. A imprensa batizou o fenômeno de "apagão sexual". Mas há uma leitura diferente que escapou da maioria das matérias.
Os números que ninguém esperava
O dado da Karolinska é o mais citado, mas não é o único. Pesquisa da Universidade de Rutgers de 2021 já apontava que americanos entre 18 e 23 anos faziam 14% menos sexo que millennials na mesma faixa etária. Ainda na Suécia, 31% dos homens e 19% das mulheres entre 18 e 24 anos disseram não ter tido relação sexual nos 12 meses anteriores à coleta.
A diferença aparece também no histórico de vida. Membros da Geração X declararam uma média de 10,05 parceiros sexuais ao longo da vida. Na Geração Z, o número cai para 5,29. É quase metade.
A CNN Brasil ouviu sexólogos para entender se isso é um problema. A resposta dividiu opiniões e abriu espaço para uma pergunta menos óbvia: e se não for?
A explicação fácil, e por que ela é incompleta
A versão mais repetida nos jornais aponta um conjunto de causas: tela em excesso, pornografia abundante, isolamento social pós-pandemia, ansiedade, dificuldade de iniciar interação fora de aplicativo. Carmita Abdo descreveu o mecanismo de forma direta: a autoerotização guiada por imagens cria uma relação "tão perfeita e justa entre o que o cérebro quer e o que a própria mão exerce" que o sexo com outra pessoa passa a competir em desvantagem.
Faz sentido. Mas explica metade da história. Se o problema fosse apenas tela e porn, a Gen Z deveria estar mais frustrada, mais ansiosa em relação ao próprio corpo, mais resistente a falar de sexo. Os dados de comportamento mostram o contrário: é uma geração mais aberta para conversar sobre sexualidade, mais informada sobre consentimento, mais à vontade para comprar produto erótico online sem culpa.
A explicação do "apagão" trata o efeito como sintoma. Pode ser sintoma de outra coisa.
A virada que a mídia ignorou: prazer com propósito
O relatório de tendências 2026 da Lovehoney é a peça que mais ajuda a entender o que está acontecendo. A marca britânica chamou o fenômeno de "purposeful pleasure": prazer com propósito. A tese é que a Gen Z não está em retração sexual. Está abandonando o sexo casual desorganizado em favor de algo mais lento, mais intencional.
Os indicadores apoiam a leitura. 60% dos pesquisados disseram fazer sexo para dormir melhor. 65% para aliviar estresse. Entre as mulheres da Gen Z, 37% relataram usar sexo (com parceiro ou solo) para aliviar dor menstrual. O sexo entrou no campo do bem-estar, não da diversão de fim de noite.
Outro dado interessante: 41% da Gen Z disse que se importa com o "body count" do parceiro: número de pessoas com quem ele transou antes. Entre millennials, eram 31%. A imprensa leu isso como conservadorismo. Pode ser também sinal de mais critério. De gente que está disposta a esperar até encontrar alguém com quem o sexo signifique algo.
O Correio Braziliense resumiu na manchete: a Gen Z não está fazendo menos sexo, está fazendo "sexo que importa mais".
Onde sex shop entra na conversa
Esse é o ponto que poucas matérias tocaram, e que muda o jeito de pensar o assunto.
Se a virada é "prazer com propósito", o sex shop deixa de ser apêndice da vida sexual e vira ferramenta central. Não como substituto do parceiro - essa narrativa é velha e errada. Como instrumento de autoconhecimento antes do sexo a dois acontecer.
Brinquedo erótico como mapeamento corporal. Um bullet ou sugador de clitóris bem escolhido ensina sobre o próprio corpo coisas que a transa apressada não ensina. Quem chega à vida sexual com parceiro já sabendo o que funciona consigo mesma transa melhor - e cobra menos do outro. Quem nunca explorou, gasta anos descobrindo no escuro. O guia de como escolher um vibrador detalha o critério.
Lubrificante e óleo no campo do bem-estar. Os mesmos números da Lovehoney mostram pessoas usando sexo para dormir, para aliviar estresse, para dor menstrual. Lubrificante de qualidade, óleos de massagem e estimuladores deixam de ser supérfluo e entram em rotina, junto com creme hidratante e protetor solar. É o que o portal já tinha apontado no texto sobre sex care.
Primeira compra com critério. A Gen Z chega na primeira compra com mais informação que qualquer geração anterior. Procura silicone médico, recarregável via USB, ruído baixo, marca conhecida. Em Londrina, três lojas atendem bem esse perfil:
- Pink Play - catálogo amplo de marcas internacionais com garantia, entrega no mesmo dia em Londrina e cidades próximas
- Oliva Sex Store - catálogo com presença forte em redes sociais e foco em público jovem
- Dona Loba - boutique com curadoria feminina, atendimento adaptado para quem está comprando pela primeira vez
Quem prefere começar pelo passo zero pode ler o guia de primeira vez comprando em sex shop antes de entrar em qualquer site.
E na prática, em Londrina
A Geração Z em Londrina está dentro do mesmo movimento que aparece nos relatórios. Menos saídas para balada, menos hookups apressados, menos número alto de parceiros. E mais tempo, dinheiro e atenção investidos em entender o próprio corpo, em comprar produto que dura, em montar uma rotina sexual que faz sentido.
Quem está nessa geração e se sente "atrasado" porque transa menos do que se transava nos anos 2000 talvez não esteja atrasado. Talvez esteja só fazendo do jeito novo, que é mais lento e exige mais decisão. O apagão sexual, se for esse mesmo o nome, parece com apagão de luz que prepara cinema antes do filme começar.